Após o encerramento da Grafipar, em 1984, Claudio Seto mais uma vez se viu diante do desafio de se reinventar. Se antes a crise no mercado editorial o levara a buscar novos caminhos, agora seria a imprensa diária de Curitiba que abriria as portas para uma nova etapa de sua carreira. Sua estreia no jornalismo ocorreu em março de 1985 no Correio de Notícias, veículo no qual atuou não apenas como ilustrador, mas também como chargista, fotógrafo e redator. Paralelamente, assumiu a página Programe-se (depois Vernissage), dedicada às artes plásticas, e a coluna Oriente-se, focada na cultura japonesa, refletindo seu duplo engajamento cultural.
Mesmo enquanto fazia quadrinhos, Seto se dedica às artes plásticas — mas, com o fim da Grafipar, ele passa a investir cada vez mais em mostras e exposições, ganhando reconhecimento de parte da cena artística e recebendo prêmios na área. No entanto, por ter trabalhado nas décadas anteriores como quadrinistas de HQs eróticas, o artista enfrenta o preconceito daqueles que não viam a arte como um fenômeno plural, independente de hierarquias como “alta cultura” e produção popular. Apesar do foco jornalístico, manteve vínculos com os quadrinhos: recebeu o Troféu Angelo Agostini (1988) como “Mestre do Quadrinho Nacional” e republicou HQs da fase Grafipar no encarte Revista Policial.
Com o fim do jornal Correio de Notícias, em março de 1995, Seto é imediatamente contratado como ilustrador dos jornais Tribuna do Paraná e O Estado do Paraná. Entre ilustrações e charges, um terceiro trabalho chama a atenção: as reconstituições de crimes em HQ produzidas para serem publicadas nas capas da Tribuna do Paraná. De 1995 a 2006, Seto produziu 357 HQs para o jornal, todas impressas em locais de destaque — dando a ele visibilidade constante na paisagem urbana de Curitiba.
Já a coluna Oriente-se deriva no Jornal do Nikkei, completamente gerido por Seto após o encerramento do Correio de Notícias. A publicação se estabelece como o principal veículo da comunica nippo-curitibana, no qual são publicadas fotos, notícias sobre eventos da comunidade e curiosidades sobre a cultura japonesa, como as versões dos Mukashi Banashi, lendas japonesas da tradição oral adaptadas e difundidas por Seto.
Em sua última fase, o Jornal do Nikkei é rebatizado como Planeta Zen, e se torna amplamente conhecido na cidade de Curitiba por ter sido distribuído ao longo dos anos nos festivais japoneses Imin Matsuri e Haru Matsuri. Além das edições para a comunidade, Seto produzia edições especiais do Planeta Zen para os eventos, sempre destacando a programação cultural do palco e o cardápio da grandiosa praça de alimentação.
