É bonsai pra todo lado

Em 2002, Seto cultiva mais de 500 bonsais no seu jardim. Cuidar das árvores em miniatura era sua primeira tarefa do dia — um dia que começa por volta das 10h, como ele mesmo sugere no discurso que fez em 2007, ao receber o diploma de cidadão honorário de Curitiba. Se trabalhar como ilustrador para os jornais Tribuna do Paraná e O Estado do Paraná pagam suas contas, trabalhar pela comunidade japonesa é o que move sua alma. 

Os quadrinhos ficam para trás, mesmo ele declarando vez ou outra que voltará a fazê-los. As artes plásticas, também. Seto se torna um consultor de cultura japonesa, de bonsaísmo, um pesquisador ávido sobre a imigração. Sua vida está na comunidade de descendentes e admiradores daquele país que sempre esteve tão longe no mapa, mas tão perto dele em presença. 

No início da década de 1990, ele participa da idealização do Memorial da Imigração Japonesa — inicialmente pensado como um Memorial do Haikai — junto com Alice Ruiz. Esse memorial é “apenas” a construção em estilo japonês localizada na Praça do Japão, hoje um dos símbolos da cidade. A pagoda (esse é o nome da construção), foi inaugurada em 1993, mesmo ano em que Seto publica sua última HQ de fôlego: História de Curitiba em Quadrinhos, em coautoria com a professora Cassiana Lacerda. E é um ano antes, que ele e o então presidente do Nikkei Curitiba Rui Hara transformam as festas juninas internas do clube em festivais japoneses abertos para toda a população.

O esforço de Seto em difundir a cultura japonesa se transforma em livros. Depois de 10 anos de pesquisa sobre a imigração japonesa no Paraná, ele e a jornalista Maria Helena Uyeda lançam o livro Ayumi – caminhos percorridos em 2002. Em 2008, Seto lança Lendas trazidas pelos imigrantes do Japão, no qual reúne algumas das muitas histórias da tradição oral adaptadas e ilustradas por ele. Já em 2009, é lançado Bushidô – caminho do guerreiro semeador: 100 anos de presença japonesa no Paraná, uma continuação da pesquisa iniciada por ele e Uyeda.

Mas voltemos à 2008, o ano do centenário da imigração japonesa no Brasil. Houve muita comemoração, mas Seto sempre disse que a festa deveria durar um ano inteiro, começando no dia 18 de junho e só terminando em 18 de junho de 2009. Infelizmente, ele não viu o final da festa. Saiu de fininho no dia 16 de novembro, deixando essas e tantas outras obras e histórias para nos encantar. Tornou-se parte do imaginário da nossa cidade: reverbera cada vez que lemos uma HQ independente, passamos pela Praça do Japão ou comemos um yakissoba no matsuri. Tal qual um mestre zen, Seto deixou as pistas para seguirmos: a arte sem hierarquias, a generosidade com as pessoas e o desapego ao que já não faz sentido. 

Kanpai! Banzai!